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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Conservação das Abelhas da Caatinga e da Umburana de Cambão: Prioridades 2014

Prezados leitores,

A APIME – Associação Pernambucana de Apicultores e Meliponicultores pautou  como prioridade para seus trabalhos em 2014  à conservação das abelhas nativas da caatinga e da umburana de cambão.

Em todo o mundo existem milhares de espécies de abelhas, entre espécies sociais e solitárias. No Brasil estima-se existir 200 a 300 espécies sociais. Elas cumprem o importante papel (serviço ambiental) da polinização, em que 90 % das espécies vegetais (com flores) são polinizadas por esses insetos. Assim, as abelhas contribuem significativamente, em alguns casos exclusivamente, na produção de sementes e frutos, o que garante a manutenção da vegetação e da fauna de um bioma. Da mesma forma contribuem no aumento da produtividade agrícola, cuja estimativa que sejam responsáveis por 30% do alimento produzido no mundo.
No Semiárido Brasileiro existem 187 espécies de abelhas. Das abelhas sociais nativas do semiárido, cuja particularidade é não possuírem ferrão, algumas são bastante conhecidas e até dão nome a cidades e localidades, como Sanharó (Cidade), Uruçu-mirim (distrito de Gravatá) conhecida por Jandaíra, Manduri (distrito), Mandaçaia, Canudo, Cupira entre outras.
Outra particularidade é que essas abelhas sociais (a maioria das espécies) fazem seus ninhos exclusivamente em cavidades (ocos) de árvores, onde estabelecem definitivamente sua colônia não mais saindo daquele local, em razão de sua rainha, depois de fecundada não mais voar. Assim, a conservação desses locais de nidificação (essas árvores) se torna fundamental para a existência das colônias e consequentemente da sua preservação e do bioma caatinga.
Apesar de existirem diversas espécies vegetais na caatinga que podem abrigar ninhos de abelhas nativas, duas se destacam: a Umburana de Cambão (Commiphora leptophloeos) e a Caatingueira. (Nessa discussão o foco será a umburana).
A umburana de cambão passa a representar quase um “habitat” quanto a sua importância para vida das abelhas nativas, pois é nela que se baseia a sua existência, a existência de sua colônia, o seu ninho.
Porém, a Umburana de Cambão está sendo dizimada da Caatinga por um processo de sobre exploração predatória e junto com ela, também as colônias naturais de abelhas sociais. As explorações e depredações vão desde queimadas, desmatamentos para empreendimentos, produção de lenha, fabricação de carvão, obtenção de madeira para o artesanato, obtenção de tábuas para confecção de colmeias e até pela ação de meleiros (caçadores de mel).

Mesmo sendo reconhecida sua importância para conservação das abelhas nativas, por meliponicultores, por pesquisadores e pela academia (Martins Celso, Kerr, Paulo Nogueira-Neto, Roubick, Imperatriz-Fonseca, Cortopassi, Marilda, Carvalho, Airton, entre outros), por associações, federações e a Confederação Brasileira de Apicultores e Meliponicultores (CBA), até a presente data não houve uma iniciativa efetiva para a proteção da umburana de cambão como forma de conservar os locais de nidificação de abelhas nativas e de outros animais como os psitacídeos (periquitos, papagaios em que também utilizam a umburana para fazerem seus ninhos).

Assim, essa é a razão da APIME ter trazido à pauta de discussão e luta nesse ano de 2014, esse tema, para ser discutido em várias instâncias e fóruns.
Teremos nas próximas reuniões Conselho Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco - CONSEMA/PE esse assunto, onde surgi a grande oportunidade de discutirmos e aprovarmos encaminhamentos e/ou resoluções, de efeito prático e imediato para a proteção das abelhas nativas e outros animais a partir da preservação de uma espécie vegetal.
Acreditamos ser uma proposta única na história da política ambiental, em que se preservando uma só espécie vegetal, se possa desencadear um processo direto de conservação de diversas espécies animais (abelhas e psitacídeos) em todo o bioma.
Queremos construir uma proposta baseada nas recomendações científicas, como a de reconhecer a umburana como “espécie chave” na conservação dos meliponíneos e no que estabelece a Convenção da Biodiversidade da qual o Brasil é signatário. Baseado também nos propósitos do Plano Estadual de Combate à Desertificação onde se destaca a conservação da vegetação como medida de combate à desertificação e a polinização contribui diretamente nesse aspecto.
Precisaremos para isso de decisões acertadas, diretas. Não caberá mais se pensar em medidas paliativas ou de agrado. Caberá sim, “revelar o relevante”, que no caso é a conservação de um bioma, de espécies ameaçadas, do patrimônio natural de toda a sociedade.
Por isso convidamos você a construir essa proposta pautada nesses princípios.
Envie suas sugestões, recomendações, orientações, minutas de resoluções, referências bibliográficas para o e-mail: apime.pe@hotmail.com ou correspondências para o endereço: APIME – Rua da Aurora, 295, Sala 917 – Boa Vista – Recife – PE – CEP 50050-000.

Recife - PE,  02 de janeiro de 2014

Associação Pernambucana de Apicultores e Meliponicultores – APIME

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Uma jovem planta de umburana de cambão